Sema realiza monitoramento ambiental no Parque Estadual Marinho da Pedra da Risca do Meio
7 de maio de 2026 - 16:37 #BPMA #monitoramento ambiental #Parque Estadual Marinho #Pedra da Risca do Meio #Pemprim #Semace #UFC

A Secretaria do Meio Ambiente e Mudança do Clima (Sema) realizou, nos dias 24, 26 e 30 de abril de 2026, uma série de monitoramentos ambientais no Parque Estadual Marinho da Pedra da Risca do Meio (PEMPRIM). Com uma área de 4.790,16 hectares, o PEMPRIM é a única Unidade de Conservação (UC) totalmente submersa no mar cearense, localizado a aproximadamente 18 quilômetros do Porto do Mucuripe, em Fortaleza.
As atividades de monitoramento e fiscalização são cruciais para garantir a integridade dos ecossistemas marinhos, combater a pesca ilegal, monitorar espécies invasoras e promover o uso sustentável dos recursos naturais. Essas ações são fundamentais para a preservação da biodiversidade, evitando a degradação ambiental, como a destruição de corais, e protegendo habitats críticos para a vida marinha.

A equipe envolvida nas atividades foi composta por técnicos da Sema, fiscais da Superintendência Estadual do Meio Ambiente (Semace), mergulhadores profissionais, integrantes do Batalhão de Polícia do Meio Ambiente (BPMA) e pesquisadores de mestrado e doutorado da Universidade Federal do Ceará (UFC).
Durante os monitoramentos, diversas espécies marinhas foram observadas, incluindo peixes ornamentais e não ornamentais, além de espécies nativas e invasoras. Entre os registros, destacam-se: Parus, Caraúnas-azuis, Garoupa-gato, Peixe-anjo-clarim (Holacanthus spp.), Haemulon plumieri, Holocentrus adscensionis, Roncador-listado-americano (Anisotremus virginicus), Stegastes pictus, e cardumes de peixe-enxada (Chaetodipterus faber) e Acanthurus coeruleus, além de garoupas-xira, moreias, tartarugas-verde e tartarugas-cabeçuda.

Entretanto, os mergulhos também revelaram sinais preocupantes de degradação ambiental. Foram identificadas esponjas danificadas e quebradas, incluindo esponjas massivas arrancadas do substrato, sugerindo impactos relacionados ao arrasto ou à atividade pesqueira irregular. A equipe registrou ainda a presença de pedaços de redes de pesca e a fragmentação de esponjas ao longo do percurso de monitoramento. Carlinhos dos Santos, instrutor de mergulho, relatou uma menor abundância de peixes na região, reforçando a necessidade de monitoramento contínuo e ações de fiscalização.

Um dos destaques do monitoramento foi a captura do maior peixe-leão já registrado nas ações de manejo, medindo aproximadamente 40 centímetros. Essa espécie exótica invasora é considerada uma das maiores ameaças aos ecossistemas recifais do Atlântico, devido à sua alta capacidade reprodutiva e comportamento predatório agressivo. A remoção desses indivíduos é essencial para minimizar os impactos ambientais causados pela invasão.
As ações de monitoramento também apoiam pesquisas científicas em parceria com o Instituto de Ciências do Mar (LABOMAR/UFC), focadas na ecologia recifal e nos impactos das mudanças climáticas nos ambientes marinhos. Os recifes do PEMPRIM são reconhecidos por sua rica biodiversidade e desempenham um papel fundamental como áreas de berçário e reposição de estoques pesqueiros, além de impulsionarem o turismo de mergulho.
Após um período de recuperação observado após os eventos de aquecimento associados ao El Niño de 2023/2024, os recifes enfrentam novas preocupações com a possibilidade de episódios de branqueamento previstos para 2027. Nesse contexto, o monitoramento contínuo se torna estratégico para a construção de séries históricas que subsidiem ações de manejo, conservação e mitigação de impactos ambientais cumulativos.
