Conservação e recuperação da Mata Atlântica interessa à sociedade cearense

23 de maio de 2020 - 08:42

Duas horas de live e público oscilando entre 179 e 201 participantes, demonstra o quanto a conservação e recuperação da Mata Atlântica, é um tema de interesse. Nesta sexta-feira (22), de 10h ao meio dia, através da plataforma Google Meet, aconteceu encontro virtual promovido pela Secretaria do Meio Ambiente (SEMA), que discutiu a elaboração e implementação dos Planos Municipais de Recuperação e Conservação da Mata Atlântica no Ceará.

Participaram do debate o ambientalista e diretor de políticas públicas da Fundação SOS Mata Atlântica, Mario Mantovani; o presidente do Conselho Nacional da Reserva da Biosfera da Mata Atlântica (RBMA), Clayton Ferreira Lino, e a gestora ambiental e consultora da Associação Nacional de Órgãos Municipais de Meio Ambiente (Anamma), Mariana Gianiaki.

O secretário Artur Bruno abriu e encerrou o evento online. Para o titular, os Planos Municipais, possibilitam aos municípios atuarem proativamente na conservação e recuperação da vegetação nativa do bioma. “Me orgulha que o Ceará seja o estado que menos desmatou a Mata Atlântica”, disse. “Muita coisa foi feita, mas precisamos fazer muito mais” completou. A gestora da Área de Proteção Ambiental (APA) da Serra de Baturité, Patrícia Jacaúna, coordenou os trabalhos.
De acordo com a gestora ambiental e consultora da Associação Nacional de Órgãos Municipais de Meio Ambiente (Anamma), Mariana Gianiaki, “as políticas públicas federais e estaduais precisam ser implementadas pelas gestões locais”. Ela referiu-se, principalmente, ao Decreto Federal 6.660/08 que regulamenta dispositivos da Lei 11.428, de 22 de dezembro de 2006, que dispõe sobre a utilização e proteção de uma das florestas mais ricas em diversidade de vida no Planeta. Ela apresentou o mapa de abrangência do bioma.

Mario Mantovani mostrou-se preocupado com a proposta do governo federal, na qual o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, sugere a exclusão de alguns tipos de formações vegetais da regulamentação da Lei da Mata Atlântica. “Estamos em um momento em que nossos direitos estão sendo rasgados”, desabafou. “A sociedade não admite mais descuidos, a Mata Atlântica é um patrimônio nosso e para as gerações futuras”, disse.

Para Clayton Lino, da RBMA, o Ceará é “um caso especial”. Segundo ele, “temos uma formação florestal muito importante e precisamos conservar”. No nosso estado, o bioma e os seus ecossistema associados ocupam área total de 1.873 km² e está localizada de maneira dispersa em dez regiões: Chapada do Araripe, Litoral, Chapada do Ibiapaba, Serra da Aratanha, Serra de Baturité, Serra do Machado, Serra das Matas, Serra de Maranguape, Serra da Meruoca e Serra de Uruburetama, ocupando total ou parcialmente 67 municípios.

Postos Avançados

Três Unidades de Conservação (UCs) estaduais – Parque Estadual do Cocó, Parque Estadual Botânico do Ceará e Refúgio de Vida Silvestre do Periquito Cara-suja – estão em processo de indicação para novos Postos Avançados de Mata Atlântica e aguardam aprovação pelo Comitê Nacional da RBMA. Os Postos Avançados são centros de divulgação das ideias, conceitos, programas e projetos desenvolvidos pela RBMA. “Temos compromisso e envidamos esforços constantes para proteger a Mata Atlântica no Ceará”, disse Artur Bruno, durante o encerramento.

O evento que também foi transmitido pelo Facebook , marcou o encerramento da Semana da Biodiversidade 2020, realizada pela SEMA, por meio da Coordenadoria de Biodiversidade (Cobio).