Bruno fala sobre o Cocó no Fortaleza Sustentável
25 de novembro de 2016 - 15:18
“Crescimento econômico e preservação ambiental frequentemente são considerados objetivos antagônicos. Porém a noção de sustentabilidade vem crescendo e a Universidade de Fortaleza vem cumprindo o seu papel em ser uma casa de educação que tem priorizado as questões ambientais”. Com essas palavras, o secretário do Meio Ambiente do Ceará, Artur Bruno, que representava o governador Camilo Santana, enalteceu, na noite de quinta-feira (24/11), o encerramento do seminário “Sustentabilidade na prática: oportunidades econômicas, bem-estar social e proteção ambiental”.
Artur Bruno deu a boa notícia que, muito em breve, o governador vai regularizar o Parque do Cocó, que é uma floresta dentro de Fortaleza, com um rio com 42 km de extensão, que se encontra muito degradado. A notícia foi recebida com aplauso e até o conferencista maior, o cientista Carlos Nobre, parabenizou-o pelo ato, que segundo ele chega “antes tarde do que nunca”.
O evento tem como objetivo fomentar a cultura da sustentabilidade por meio da produção e disseminação dos conhecimentos ligados à educação ambiental, buscando conscientizar pessoas e empresas a compreender os ganhos com a adoção de práticas sustentáveis em suas vidas, conforme salientou a reitora de pós-graduação Lilian Sala, ao abrir a solenidade que contou também com falas do de Mário Fracalozzi, representando o prefeito Roberto Cláudio, e palestras de Carlos Nobre, Ronaldo Seroa e Jair Kotz.
Carlos Nobre deixou bem claro que “se ao invés de aplicar recursos em projetos perdulários, os governos agissem valorizando o potencial da biodiversidade dos biomas, para o desenvolvimento, o Brasil seria outro”. Ele falou sobre o aquecimento do planeta e o papel do Brasil no combate as mudanças climáticas e no tocante as expectativas com o presidente eleito dos estados Unidos foi categórico: “o mundo é bem maior que Trump”.
Já o economista Ronaldo Seroa da Motta apresentou a relação quadrática entre degradação ambiental e renda. É simples assim: “crescem, degradam, ficam ricos e recuperam a degradação”. Porém, salientou que o combate ao aquecimento global exige uma economia de baixo carbono com uma radical transformação nas atividades de produção e consumo em toda economia. Detalhe frisado é que a poluição é de graça.
O conferencista destacou que existem evidências suficientes para comprovar que a industrialização, a expansão da fronteira agrícola e a urbanização criam pressões significativas na base natural de uma economia, seja pela utilização acelerada de recursos naturais exauríveis nos processos produtivos, seja devido à geração de poluição que degrada a qualidade ambiental. Advoga-se, também, com evidências igualmente irrefutáveis, que as nações, atualmente consideradas as mais ricas, alcançaram níveis satisfatórios de crescimento à custa destas perdas ambientais. Jair Kotz apresentou um bom exemplo de liderança e governança inovadora praticado com respeito ao meio ambiente, no oeste do Paraná. O debate foi mediado por Robert Gradvohl.

